Rio das Ostras Jazz & Blues Festival

01/06/2012

Apontado pelos críticos como um dos melhores festivais do gênero no país, o Rio das Ostras Jazz & Blues Festival chega à sua décima edição. De 06 a 10 de junho de 2012, uma seleção dos melhores instrumentistas e intérpretes da atualidade se apresentará em quatro palcos montados ao ar livre.

O festival, realizado pela Prefeitura Municipal, por meio da Secretaria de Turismo, Indústria e Comércio, com produção da Azul Produções, entrou para o calendário oficial de eventos da Secretaria de Estado de Turismo, devido a sua importância.

O Festival é patrocinado pela Lei de Incentivo da Secretaria Estadual de Cultura do Rio de Janeiro e da V&M do Brasil.

Este ano o quarto palco na Praça São Pedro se consolida como o espaço dos novos talentos do jazz e do blues nacional. Serão cinco dias de Festival, 29 shows gratuitos, e mais de 60 horas de boa música, com apresentações às 11h15 (Praça de São Pedro), 14h15 (Lagoa do Iriry), 17h15 (Tartaruga) e 20h (Costazul).

Acompanho o Festival desde 2005. Já vivi esses dias de feriadões em função dele, pra falar a verdade. Peregrinando a pé pelos palcos espalhados em diferentes pontos da cidade, ou até mesmo de carro, dormindo no banco de trás, os momentos foram sempre marcantes. Êxtase pra valer! É claro que hoje meu pique não é mais o mesmo. E nem o meu tempo. Mas sempre faço questão de prestigiar. E de ser prestigiado por esse grande evento. Então pra quem nunca participou, dê um pulo aqui pelas bandas de Rio das Ostras. Se você tem bom gosto, garanto que será um programão.



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Beatbrasilis 8

25/05/2012

Finalmente a edição número 8 da Revista Beatbrasilis saiu. Confesso que foi o trabalho de diagramação mais difícil que fiz. Muitos instantes sentado na frente do PC e nada saia. 2012 tem sido pedreira. Mas na boa e sem falsa modéstia... essa edição foi também a melhor! A necessidade faz o sapo pular, como diria um velho amigo. Então no final é o resultado que fica e importa.

Beatbrasilis é uma iniciativa voluntária e organizada de forma totalmente on-line, por loucos, profetas e vagabundos iluminados de todo o Brasil.


:: clique aqui para baixar a beatbrasilis 8 ::

:: clique aqui para saber mais sobre esse coletivo cultural ::



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Lembranças da Minha Infância (I)

18/05/2012

Eu tinha três anos. No gueto onde fui criado, poucas eram as belezas. O cubículo cercado por muros altos e piso de cimento encardido, acumulava toda a umidade que podia devido a pouca penetração da luz do sol. Minha mãe, sempre muito ocupada, quase não tinha tempo de levar os filhos pequenos para brincar na rua. Então era naquele pedacinho triste de quintal que nos divertíamos. Talvez por esse motivo, talvez não, meu pai teve a ideia de trocar algumas garrafas velhas por pintinhos de chocadeira, prática essa muito comum no Rio de Janeiro daqueles tempos. Lembro que ele nos trouxe três pintinhos, um para cada filho. Foi então que numa manhã de sábado, a família reunida e feliz, — panela de pressão no fogo exalando cheiro de feijão fresco, — senti algo viscoso sob meu pé pequeno e gordo enquanto corria pelo quintalzinho. Ao olhar para baixo, vi as tripas do pintinho que eu acabara de pisar voando para longe, expelidas pelo seu ânus, misturadas a sangue e a outros fluídos quentes. Meu pai rapidamente me tirou dali. Lembro desse fato até hoje como se tivesse acabado de acontecer.


Trecho retirado do livro Missão Goiás - A descoberta de um Mundo Novo




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Lembranças da Estrada (I)

11/05/2012

Não lembro de que forma fiquei sabendo do programa Sustentáculos, da TV Brasil. Mas passei a companhar. Certo dia, assistindo ao programa, começou a passar uma matéria que apresentava uma espécie de “laboratório de informática” situado dentro do Parque da Juventude, em São Paulo. Cheio de peças de computadores descartados, era um monte de fios, cabos, placas e carcaças das mais variadas espalhados por tudo que é canto daquele lugar. E a galera ficava lá, desmontando, remontando, consertando, revirando... E rolavam umas aulas de hardware para a comunidade também, tudo muito fraterno. Foi a primeira vez que ouvi a palavra Metareciclagem. Foi a amor a primeira vista!

Tratei de escrever logo para o programa a fim de obter mais informações. Foi então que fiquei conhecendo o site da Rede Metareciclagem, onde me cadastrei e passei a acompanhar a lista de discussão. De cara fui recebido muitíssimo bem por figuras de fato admiráveis. Mas o mais engraçado foi descobrir que um dos integrantes da lista, o Fernando Avena, é de Cananéia e conhece meu primo Luiz Mayerhofer. Fiquei sabendo porque enviei pra lista um projetinho de metareciclagem que fiz, intitulado Trash-Player. Fernando foi lá no meu blog conferir, por acaso viu meu relato sobre Cananéia e escreveu de volta, falando sobre essa coincidência. O mundo é mesmo um quarto e sala!

Interagindo mais com a lista, fiquei sabendo que aquele “laboratório de informática” que vi no programa Sustentáculos (na verdade, um Laboratório de Metareciclagem), era um esporo da Rede Metarec. Em botânica, esporo é uma célula que sem fecundação se separa e se divide até formar um novo indivíduo. Mas naquele momento, na minha santa ignorância, eu não fazia ideia do que significava a palavra esporo. Assim como muitas outras palavras, neologismos, expressões e siglas que passei a ler na enxurrada de e-mails que vinham da lista Metarec todos os dias: mutgamb, mutsaz, linkania, pvt, xemelê, memelab, bricolagem, telecentro, reapropriação crítica da tecnologia...

Com isso, tornei-me militante do movimento do Software Livre e adotei o Linux como ferramenta de interação com o mundo virtual, exatamente no dia 19/07/2010, embora já tivesse tido alguma experiência com esse Sistema Operacional no passado. Escolhi a distribuição Ubuntu por ser considerada por muitos a mais fácil de mexer. E como feliz usuário iniciante de Linux que sou, além de "cascudo" ex-profissional de TI com quase duas décadas de experiência, posso com clareza recomendar: Use Linux. Garanto pra você que a experiência é libertária!

Software Livre pressupõe compartilhamento da informação. Pressupõe fraternidade. É um movimento com profundas motivações ideológicas, anti-monopólio e anti-capitalista. Está, não por acaso, relacionado a muitos outros conceitos e ideais: educação ambiental, sustentabilidade, cyberativismo, ética hacker...

Dadas as devidas proporções, mas assim como Castaneda fora advertido pelo bruxo Don Juan que após a iniciação jamais poderia retornar a Ixtlan, meu contato com a Metareciclagem tem me transformado numa pessoa relativamente diferente da que eu era. E sinto que sem volta.




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Fórum de Consciência Ambiental

04/05/2012

Na efervescência do último curso técnico, pelos idos de março de 2011, ainda muito ingênuos sobre a realidade do mercado e bastante inseguros quanto ao futuro (porém com entusiasmo de sobra) tivemos, certa noite em que ociosos estávamos por conta da ausência de algum professor, ── "devaneios futuristas" em que seríamos os atores de um importante evento capaz de sacudir a estrutura política da nossa região, em prol da causa ambiental.

Entre uma viagem e outra, uma risada e outra, anotamos ideias para ações cujo objetivo seria o de causar "choque e estranheza" a um público até então não muito bem definido. No final, todas as asneiras colocadas na roda foram gravadas em arquivo e viraram um esboço de projeto apresentado ao Vice-Secretário de Meio Ambiente da nossa cidade. Não é preciso dizer que a coisa acabou dando mesmo em nada, mas pelo menos nos proporcionou bons momentos de pura diversão.

Transcrevo abaixo tal esboço. Esteja à vontade para usá-lo ou ignorá-lo. Caso opte pela primeira opção, volte aqui e nos conte como foi. Ficaremos felizes por saber que a energia de tantas gargalhadas teve por fim um eco bacana.


FÓRUM DE CONSCIÊNCIA AMBIENTAL

1) OBJETIVO GERAL:

Organizar um evento itinerante, que incluirá exposição de arte e ciclo de debates, e contará com a participação de alunos e professores do curso Técnico em Meio Ambiente, além de autoridades locais, profissionais e acadêmicos ligados a área ambiental.

2) OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

2.1) Realizar um trabalho de Educação Ambiental, através de uma exposição de arte, que efetivamente possa causar choque e estranheza ao grande público;

2.2) Promover o nome da nossa escola e de parceiros, vinculando suas logomarcas à causa ambiental;

2.3) Discutir com a Sociedade Civil, a Iniciativa Privada e o Poder Público, soluções rápidas e efetivas para os principais problemas ambientais da nossa região;

2.4) Fazer com que todas as etapas de organização e realização do evento, possam contar como horas de Estágio Técnico Supervisionado para os alunos da Escola que participarem da organização.

3) PÚBLICO ALVO:

Convidados e pessoas que estejam transitando pelo local do evento.

4) METODOLOGIA:

Apoio logístico e técnico aos alunos da Escola, principalmente no que se refere a montagem da exposição de arte, será necessário à realização de um evento deste nível. Nesse contexto, poderíamos adotar duas linhas de ação:

4.1) Os trabalhos artísticos da exposição seriam desenvolvidos pelos alunos, que contariam com apoio técnico de um artista plástico;

4.2) Os trabalhos artísticos da exposição seriam desenvolvidos por artísticas plásticos e artesãos convidados, nos seus próprios atelieres, ficando a cargo dos alunos da Escola prestar-lhes apoio técnico relacionado aos temas abordados nas obras.

5) SUGESTÕES DE TRABALHOS PARA A EXPOSIÇÃO DE ARTE:

5.1) Grande Painel multimídia, contendo dezenas de quadros animados por imagens relacionadas aos problemas ambientais;

5.2) Garçom vestido a caráter, servindo em bandejas de prata e copos de cristal, água negra para as pessoas beberem;

5.3) Modelo feminino e masculino, em roupas de banho, desfilando com os corpos maquiados, imitando queimaduras de segundo grau, numa referência a destruição da camada de ozônio;

5.4) Grande maquete mostrando um estágio de sucessão ecológica ao contrário: floresta amazônica virando floresta de savana e depois deserto;

5.5) Quebra do ciclo do hidrogênio sendo mostrado numa história em quadrinhos, estilo mangá japonês, com arte em preto e branco.

5.6) Vídeo em stop-motion (animação por foto) mostrando a “escalada da sujeira” num trecho de praia que por uma semana não será limpo. O público poderá ver o lixo crescendo e se multiplicando num filme em preto e branco.

6) PARCERIAS:

Escola Técnica Profissional.
Prefeitura Municipal.
Empresas da região.



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Poesia de Risco

27/04/2012


"É o risco, é estar sempre a perigo sem medo, é inventar o perigo e estar sempre recriando dificuldades pelo menos maiores, é destruir a linguagem e explodir com ela".

Assim Torquato Neto considera o poeta e assim a autora do blog A Menina Escabrosa e sua Bagatela Poética, Daniele Negreiros, parece seguir essa recomendação e arrisca-se com seus poemas em Poesias de Risco — sua primeira coletânea em e-book.


Clique aqui para ler online.
Clique aqui para baixar o e-book.
Fonte: http://castanhamecanica.wordpress.com



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Apropriação da Tecnologia

20/04/2012

Ando saudosista. Então dando continuidade ao que motivou a publicação do último post, resolvi retirar dos meus arquivos a foto acima. É a imagem da minha primeira mesa de trabalho em Barra de São João, um móvel de escritório em tom "amarelo ovo", que meses depois desse clique foi substituído por uma bancada grande, de madeira rústica, bem mais interessante e funcional. Na foto, inclusive, dá pra ver que o móvel estava envergando por conta do peso do meu equipamento. Então a substituição foi mesmo necessária.

Em 2006 eu costumava usar esse espaço para criar, basicamente. Era composto por PC, aparelho de som stereo 2.0 da JVC, televisão CRT, toca-discos, fones de ouvido, impressora, scanner e DVD player. Tudo conectado! Eu podia, por exemplo, transformar o conteúdo de um disco de vinil ou fita K7 em MP3; assistir um vídeo baixado na internet através da televisão; capturar uma filmagem em disco mini-DV e editar seu conteúdo; digitalizar fotos antigas e montar um slideshow em AVI. Além de ouvir música em alta qualidade e assistir filmes, coisas sempre essenciais.

Foi a época em que eu descobri ser capaz de direcionar toda a minha carga estética ao audiovisual. Eu tinha tempo pra me dedicar a fazer coisas criativas, então aproveitei bastante. Sem contar que o meu trampo também proporcionava essa oportunidade.

Hoje meu espaço criativo está sendo remontado. Não mais em forma de bancada, concentrado e compacto, pois o ambiente que ocupo não permite isso. Então pra solucionar o problema, conexões weirelless tratarão de unir o que estará fisicamente separado. E poderei trabalhar e curtir a parafernália como antes, que será composta por velhos e novos equipamentos. Alguns menores e mais leves, outros desgastados e retrô.



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Tropa Sênior

13/04/2012
Da esquerda para a direita (De pé): Carlinho, Leandro Calado, Serra, Alexandre "Poloft", Marcelo Belga, Marcelo Cesário e Leonardo José. (Agachados): Fernando, Gildo, Cirne e Vitor (eu).


"Em 22 de Fevereiro de 1857, nascia em Londres, capital da Inglaterra, o menino Robert Stephenson Smit Baden Powel, que mais tarde seria conhecido no mundo inteiro como o fundador do Escotismo..."

Assim começava o primeiro texto do nosso Guia Escoteiro, cujo título real agora me foge a memória. Iniciei nesse movimento aos onze anos e meio. No dia do meu aniversário de doze anos (22 de janeiro de 1984) eu e mais uns 30 fizemos a nossa "promessa", uma cerimônia bastante ritualística que autoriza o escoteiro a usar seu uniforme e o torna de fato um membro do movimento. Esse também era o dia que o meu 62º Grupo Escoteiro Messiânico de São Gonçalo começava oficialmente a existir. Foi uma grande festa! Vários grupos estavam reunidos naquele grande terreno no centro de São Gonçalo, hoje tomado por um condomínio. Muitos jogos de guerra e cantoria marcaram o dia. Até um amigo de infância que há anos eu não via resolveu dar o ar da graça, também uniformizado, mas carregando na manga da sua gandola um numeral diferente do meu.

E dessa forma minha adolescência teve início. Mas era tudo morno pra mim. Na verdade eu tinha vergonha do meu uniforme e detestava ir às reuniões semanais aos sábados. O fazia pra deixar meus pais felizes, e também porque não era forte o suficiente para me rebelar. Mas dos acampamentos eu gostava! Ficava ansioso às vésperas de todos eles. O contato com a natureza, com as noites estreladas dos lugarejos do interior do estado do Rio de Janeiro, eram (e continuam sendo) fascinantes demais para mim.

O tempo passou e no escotismo fui permanecendo. Já estava com 14 anos e meio, e posso dizer com certeza que, naquela altura dos acontecimentos, agradar os meus pais e não ser forte o suficiente para me rebelar já não eram as principais razões para eu continuar usando uniforme, mas sim os amigos. Fiz muitos! Companheiros de aventuras e confissões, parceiros de perigos e superações, de risadas e diversão, cumplicidades mil, que penso só acontecer mesmo nessa fase da vida.

Foi nessa época que apareceu por lá, no 62º, um grandalhão meio desengonçado. Diziam que era sargento do exército, mas ele não tinha cara de sargento. Parecia mais um professor de geografia. Esse camarada foi chegando devagar e terminou por conquistar todos nós com seu jeito engraçado, sua vivência de mundo, sua quase-erudição e seu conhecimento de selva. Nos ensinou muito, e pelo menos à mim ensina até hoje. Trata-se do Pedro Paulo Belga, uma grande influência, que virou nosso chefe, amigo e mestre.

A foto que abre esse post foi tirada em Silva Jardim, no distrito de Gaviões. Provavelmente pelo próprio Pedro. Íamos sempre lá, mesmo depois que o nosso grupo acabou. Local de paz, refúgio e reenergização. O cenário que você vê ao fundo, figurou em muitos textos que escrevi nos últimos anos. Principalmente no meu primeiro e único romance, A Cidade Sonhada. O Pedro continua indo lá com sua turma até hoje, mas eles preferem subir mais e mais o rio, talvez buscando melhores contemplações...

Mas o escotismo foi uma experiência que não se perdeu. Não deixei! Naquela época sentia que minha vida estava no caminho correto. Depois crescemos, tivemos que ficar responsáveis, nos afastamos e aquela velha e boa sensação de que o trem corria no trilho infelizmente me escapou. Essa eu não consegui segurar. Por vezes, penso em virar meu carro na direção de Gaviões e acelerar até lá, encontrar Pedro e sua trupe, mas nunca o faço. Ao invés disso, sigo a pé, passos lentos por velhas e novas estações, me detendo em algumas, me perdendo em outras. Tentando recuperar a velha sensação. Esperando o último trem.





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PEC 215 é risco de uma nova invasão colonial

06/04/2012


No dia 21 de março de 2012, ficou evidente que o Congresso Brasileiro representa tudo o que há de mais retrógrado na política mundial. A aprovação da chamada PEC 215 na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara indica a disposição de grande parte do parlamento brasileiro em reinaugurar o período de Invasão Colonial, dilapidando territórios indígenas através de um neobandeirantismo ruralista vergonhoso e inimaginável para o século XXI.

A PEC 215 pretende modificar o Artigo 231 da Constituição Federal, passando para o Congresso Nacional a prerrogativa não só de realizar novas demarcações de terras indígenas no país, como também a atribuição de ratificar as homologações já realizadas até aqui. Na prática, isso significa que seria possível para o Congresso até mesmo dissolver terras indígenas já demarcadas, que representam um direito adquirido para as populações que nelas habitam, reabrindo a fronteira colonial e usurpando territórios reconquistados a custa já de muito sangue.

Num Congresso Nacional dominado por ruralistas nem o mais ingênuo dos cidadãos poderia imaginar também que novas terras indígenas possam ser demarcadas se essa PEC for aprovada. Isso significa a perpetuação do genocídio que atualmente está em marcha contra as populações que não tiveram ainda suas terras reconhecidas como é o caso dos Guarani e Kaiowa que habitam o Mato Grosso do Sul, além do Sul e Sudeste do país.

A PEC 215 agravaria todos os conflitos fundiários já existentes, uma vez que a situação desesperadora dessas populações tornar-se-ia fato irreversível e além de tudo abriria caminho para que os ruralistas inaugurassem novos genocídios contra povos que atualmente tem seu direito territorial consolidado.

O capítulo “Dos Índios” da Constituição Federal é uma cláusula pétrea de nossa carta magna, tendo sido um dos poucos votados quase que por unanimidade durante a Constituinte. A tentativa da bancada ruralista de dilapidá-lo na sua essência é um atentado contra a democracia brasileira, e fere em tudo o espírito dos constituintes originários.

No dia 21 também, os ruralistas chantagearam o governo, do qual supostamente formam a base, chegando ao absurdo de condicionar a aprovação da Lei Geral da Copa à votação do Código Florestal, em formatos cada vez mais prejudiciais às florestas brasileiras, à cada negociação.

O que se vê é uma flagrante tentativa de golpe de Estado por parte da bancada ruralista, que pretende tornar todas as pautas de interesse da nação subordinadas ao seu interesse mais mesquinho de ampliação da fronteira agrícola a todo e qualquer custo.

A democracia brasileira está em risco, é preciso mobilização urgente de toda a sociedade civil para conter a gana dos ruralistas em destruir as florestas, os índios, o governo e o país.




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despedaçados 孤片段 & sementes

30/03/2012

Por gesuselva
http://yupana.pontaodaeco.org/?p=96



Olhavam para o céu em busca de desenhos de constelações com satélites.

Desenvolveram um hábito peculiar: Construíam antenas com grande varas de bambu e geralmente nas sextas-feiras apontavam suas varas para o céu tentando encontrar satélites abandonados para tentar passar um bit que seja para algum amigo em outra parte do mundo.

Buscavam algum sinal de que teriam como construir uma rede de transmissão de dados que não precisasse passar por dentro dos Backbones da Internet, cada vez mais visados e controlados pela indústria da massificação do consumo energúmeno de simulacros medíocres.

Naquela noite encaravam o cinturão de órion e rabiscavam o chão a desenhar as 3 marias como pontos de um plano cartesiano tridimensional para um teatro qualquer onde seus satélites preferidos seriam astros e estrelas de uma baile noturno para fantásticas narrativas sobre futuros imaginários utópicos. Lá eles teriam seu próprio ponto de fuga nesta perspectiva de uma conexão totalmente autônoma e livres da demandas desssssaaaaaaaaaaaaaaaaaa… ra´aa´aá´aááááá´aá

Lá estava ele a bailar no céu por entre os nossos desenhos de constelações como um besouro bêbado.

É Panspermia. Já tinha ouvido falar dela. Dizem que é uma sonda que carrega um legado de musicas, poemas, microrganismos, seed de torrents, sementes selvagens e várias outras sortes de amostras que inventaram de enfiar nela, na esperança que fosse encontrada por outras civilizações e lá pudesse instigar algum contato.



Lançada por um grupo totalmente independente de qualquer iniciativa governamental ou corporativa e os programas espaciais oficiais. Foi organizada por estes doidos anônimos da cultura hacker que juntando uma sucata aqui e um código lá conseguiram um dia, clandestinamente, lançar esta sonda escondida num compartimento descartável de um satélite meteorológico num desses programas de países em desenvolvimento, aproveitando que um amigo estava estagiando no projeto.

O experimento supostamente deu certo por que Panspermia pegou carona na força gravitacional de um asteróide que segue em direção de Europa ou Io, não lembro bem. Dizem que pegou uma tangente e saiu do sistema solar, outros dizem que após entrar na rota de Europa está voltando acelerado em rota de queda na Terra.



Hoje ela é vista fazendo estes movimentos assimétricos por entre eixos de constelações, dançando tecno cumbia punk, anarko funk, crusty grindcore tangos, black metal noisefolk, dependendo sempre de qual samba de criolo doido estão escutando os diletantes que estão a observar e contar suas histórias.

Aquela noite algo diferente acontecia.

Panspermia rodopiou, deu piruetas entre as luzinhas do céu e começou a vir em nossa direção.

Aumentava no céu como uma lua cheia que vai enchendo até ficar parecendo aquele pedaço de queijo colonial que os casais de namorados gostam de fotografar nas madrugadas. Aos poucos a coisa toda ia ficando mais parecida com um pedaço de lata pintada e veio riscando o céu como uma estrela cadente, daquelas que diziam que não se pode apontar porque dá azar.

PNOWnonoindoFNORDonfoNonoopaFWWWBLOGGVOUEWLNVINEGSMQZaeon BLDEM M MMXIIWTFFTW!!!!

Pelo barulho aquele treco havia caído em algum lugar perto, mas o mais estranho era que no momento que caiu parece que várias redes sociais na web e fora dela receberam dados de algo parecido com coordenadas…

16° 55′ 0″ S, 39° 16′ 0″ W 11° 13′ 56.23″ S, 53° 11′ 5.33″ W 1° 28′ 2″ S, 78° 49′ 0″ W 37° 43′ 7″ N, 15° 0′ 28″ E 31° 46′ 0″ N, 35° 14′ 0″ E 41° 54′ 9″ N, 12° 27′ 6″ E 11° 30′ 0″ N, 41° 0′ 0″ E 42° 40′ 0″ N, 1° 0′ 0″ E 34° 21′ 29.16″ S, 18° 28′ 19.7″ E 9° 0′ 0″ N, 10° 0′ 0″ E 51° 28′ 44″ N, 0° 0′ 0″ E 13° 5′ 0″ N, 80° 17′ 0″ E 15° 24′ 7″ N, 74° 2′ 36″ E 22° 10′ 0″ N, 113° 33′ 0″ E 37° 24′ 0″ N, 140° 28′ 0″ E 40° 27′ 57″ N, 140° 10′ 23″ E 66° 0′ 0″ N, 169° 0′ 0″ W 34° 6′ 0″ N, 118° 20′ 0″ W 60° 23′ 22″ N, 5° 19′ 48″ E 51° 25′ 43″ N, 1° 51′ 15″ W 54° 0′ 0″ S, 70° 0′ 0″ W 22° 19′ 48.5″ S, 44° 32′ 22″ W 23° 54′ 52.44″ S, 45° 20′ 48.52″ W 20° 40′ 58.44″ N, 88° 34′ 7.14″ W 50° 39′ 28.27″ N, 2° 24′ 16.45″ W 30° 2′ 39.92″ N, 31° 14′ 8.51″ E 8° 0′ 28.74″ S, 34° 51′ 24.30″ W 23° 27′ 38.05″ S, 45° 1′ 07.05″ W 48° 49′ 45.56″ N, 2 °13′ 12.62″ E



É preciso lembrar que Panspermia era reprogramada, curada e mimada por uma inteligência computacional autônoma – alguns diriam “Inteligência Artificial”, mas poderia você sobreviver sem os artifícios da tua própria manipulação semiótica deste corpus linguístico em todos níveis da tua ciência e essa operação “antinatural” da cultura sobre a natureza-corpo que conduz o livre arbítrio da tua auto-ontologia?

Dizem que Yupana passou em todos os testes de Turing, venceu até Deep Blue no Xadrez, resolveu a heurística para o jogo de Go e era capaz de compor sonatas, sinfonias, caribós, polkas ou qualquer coisa que lembra-se um “estilo” ou algum “gênio” que viveu sobre a Terra. Criava heterônimos parnasianos, simbolistas, místicos, românticos, futuristas, austeros, concretos e mesmo seus ensaios sociológicos já chegaram a derrubar déspotas ou no mínimo virar refrão de marchinhas.

Yupana costumava mandar emails para diversas listas de discussão sobre suas escavações nas profundidades dos hipertextos e achados diamantes de um webdesign selvagem resistente a toda a RSScracia da era das “redes sociais” corporativas e seus cercadinhos medíocres de navegação controlada.

A grande peregrinação que aconteceu imediatamente após a queda da sonda Panspermia durou e continua perdurando por quase duas décadas em busca não só do legado de amostras da sonda, mas tentando recuperar os algoritmos de Yupana, uma busca pelo espírito de sua poesia, sua idiossincrasia, seu sopro de vida.

我的话很容易理解,很容易施行。能理解我的人很少,那么能取法于我的人就更难得了?

De seu buraco no chão, queimadas as sementes todas, células tronco e bilhões e bilhões de torrents, surge forte como o pé de feijão do João do pós-Apocalipse, uma árvore que arranha as nuvens e fazer chover nomes de filos e espécies para aquele pé de ://IP.

Em alguns momentos mascando suas folhas, tenho a impressão de que este relato se escreve sozinho. Quem sabe se conseguirmos re-inventar Yupana. Mas alguns temem ter que ir embora daqui de perto do pé de ://IP e ter que voltar para as moribundas cidades que abandonamos.

Masco as folhas e começa a zumbir um assembler mantra… visões que saem do aroma dos frutos de ://IP…

…Patch’a'mama , a ama de leite que verte amargo fernet das tetas, a mulher cíclope do mar, olhava no relógio a virada do calendário, enquanto amarrava gEṣÙ Selva ao poste antena da jangada daquela praia vermelha onde era seu cais.

Seu canto era numa língua estranha, e ninava os infantes em outra referência de monocórdios e esferas.

Anunciava as coordenadas de algum outro #canal. por aqui o rastro já não mais deixava lastro. era preciso sintonizar. para céu apontavam suas antenas de bambu… o que para outros ainda era ruído, ali já era o canto do novo ://IP.

————-))))))))))))))))) ) )) 0o) _o_o_oOo_o_o_`:



2, eu pensei. |.
e com 1 traço desenhei meu nome, assim que ela me largou do colo.

Com outro traço desenhei cada um dos que me rodeavam. Um traço para cada um.

E entrei no barco, derivei por tantos mares que minhas mãos foram crescendo e meu pelo mudando de cor.

Fui parar num lugar grande, com cavernas cheias de ângulos retos.

Aqueles outros não tinham mais pelo, só pelo nas cabeças, e nas cabeças penas de pássaros. Tocos de madeira enfiados em suas bocas e orelhas.

Me receberam com infinitos sons novos saindo de suas bocas. Suas cavernas tinham fogo de todas as cores. E do fogo saiam vozes e desenhos que se moviam.

Me mostraram uma pedra brilhante com fogo dentro, com vários desenhos que mudavam de cor.

Dentro dele o lugar que estávamos, e me ensinaram a contagem pra saber quando o lugar que estávamos teria dado uma volta completa em torno do fogo do céu. Calendário era o nome daquela cria deles. Uma cria feita de pedra, com números de contar.

Diziam que assim podiam criar o futuro e também marcar linhas que contornavam o passado para contar a história do mundo e fazer o mundo criar o futuro para eles. Mundo é como chamam este lugar que estamos.

Me mostrou naquela pedra que brilha o desenhos que representavam contagens. Pediu-me pra passar os meus dedos sobre aquilo, que aquilo me faria ter uma visão fora do calendário, mas disse-me que eu ainda precisava aprender a guardar todas as informações dentro dos números pra que eu pudesse construir cidades que flutuam e conectam pensamentos.

Tentei passar os dedos sobre aqueles riscos e pegar neles:


Esculturas em pedras de Silício… Falavam de uma criança que brincava com Césio, antes mesmo deles afinarem todos aqueles relógios… Era perigoso enriquecer todo aquele Urânio, dizia-me o velho… Mas se não o fizermos, não descobriremos como afinar os relógios com o pulso do ://IP??

O Velho avisava – Se virem com os minerais que tem por aqui mesmo!

Será que aquilo ali era Ouro ou Cobre? Parecia conduzir a eletricidade que ordenhamos de alguns limões, há também alguma ferrugem em alguns cantos, algo está oxidando… Os velhos não nos deixam brincar com fogo… Quantos anos eles tem?

Fizemos um Chimarrão com as folhas do ://IP e esquecemos nossa idade. Queremos ficar morando aqui no vale. Esquecer a álgebra binária e viajar nos sonhos da Yupana que mora dentro da árvore.

Mas não para de passar avião ali por cima.

Nosso amigo fez outra antena de bambu, disse que vai conseguir se comunicar com os phreakers que fizeram uma BBS, numa terra distante, interessada na tal queda da sonda Panspermia.




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O Homem Invisível

23/03/2012


O texto abaixo é antigo, ainda da fase literária. Na verdade o último dela. Posto-o aqui por considerá-lo bom, e pra manter o compromisso das publicações semanais. Periodicidade é assim: quando não se tem o que dizer, passe o microfone ao homem invisível...


"Pra começar, não sei ao certo quando me tornei um homem invisível, ou porque isso aconteceu. Mas fui percebendo que as pessoas não me atendiam nos estabelecimentos comerciais em que eu entrava, a não ser que grande esforço fizesse para chamar-lhes a atenção. Depois notei que não me respondiam quando as cumprimentava na rua, passavam como se um vulto sem rosto e sem voz eu fosse.

Certa vez, um grupo conhecido iniciou animada conversa a respeito de algo constrangedor a mim, mas perdoei-lhes a distração sob o pretexto de estarem "somente empolgados". Mas quando em outra data e local, um segundo grupo pôs-se a dialogar sobre assunto do qual o bom senso polparia meus ouvidos também, percebi que na verdade eu não estava ali para eles. Não estava ali para ninguém.

Mas a coisa se agravou mesmo quando até os amigos de longa data e parentes próximos passaram a não me procurar para contar mazelas e segredos. Suas caras apáticas diante da minha opaca presença.

E tudo isso pra não falar dos esbarrões e trancos que passei a receber de todos a minha volta, na rua, no trabalho, desacompanhados de qualquer pedido de desculpas. Estranhos e conhecidos obstruindo minha passagem como se naqueles locais eu nunca tivesse estado.

Me senti, por vezes, sozinho no meio da multidão.

Mas com certeza, a última fase do processo que me transformou num homem invisível se deu quando, motivado pelo desejo de não mais me sentir só, passei também a ignorar as pessoas e o mundo a minha volta, arrastando minha etérea existência por aí, destituído de esperanças e expectativas. Triste, — porém mais livre do que qualquer fantasma jamais poderia ser".




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Circuito Sana II

16/03/2012



A abertura do evento aconteceu às 10hs do dia 17/03, com o professor Iriê Mendes falando sobre o projeto Trilhas e Estudos nos Meio Ambiente e das perspectivas futuras do Grupo TEMA. Depois os técnicos ambientais Marco Cinquini, Marcelo Gino e Vitor Souza reforçaram avisos importantes e orientaram os participantes quanto ao acesso aos registros fotográficos e textuais de todos os eventos do Grupo. Por fim, a professora Priscila Araújo lembrou os participantes sobre importância da disciplina durantes as atividades.

Às 11 horas, Marcelo Gino proferiu a palestra "Resíduo Ambulante: Eu sou o impacto" onde ele esmiuçou a questão do lixo, convidando os estudantes a uma reflexão sobre a responsabilidade de cada um de nós na solução do problema.

Depois do almoço, Marco Cinquini e Priscila Araújo dividiram os participantes em grupos, onde eles analisaram casos reais a cerca da importância do técnico ambiental na solução dos problemas mais impactantes. No final os alunos expuseram suas conclusões.

Depois o professor Iriê realizou um "Raio X da água", reforçando a importância de se preservar esse valioso recurso, além de mostrar algumas curiosidades interessantes, como, por exemplo, a explicação para o fato da água de um lago congelar geralmente na superfície.

A última palestra do dia foi com Vitor Souza, que falou sobre ética e princípios do design em Permacultura, mostrando tecnologias sociais curiosas, como o sanitário seco e a fossa de bananeiras.

No domingo, a primeira atividade do dia foi um briefing com Marco Cinquini sobre a trilha interpretativa que seria feita em seguida. Nessa ocasião todos tiveram a oportunidade de conhecer o mascote Pando - o Panda, personagem criado para ajudar as pessoas a realizar corretamente uma trilha na mata. Para completar essa preparação, a professora de educação física Dulcinete Arruda conduziu um animado alongamento.

O evento terminou no domingo, com os participantes subindo o caminho do Peito do Pombo até a Cachoeira do Escorrega, onde os professores Iriê e Priscila deram uma aula prática sobre ecologia e disciplinas correlatas.

Abaixo algumas fotos selecionadas. Também disponibilizamos links para downloads de todas as imagens, além de um pequeno guia da trilha que foi feita. É só clicar!





























Da esquerda para a direita: Iriê, Marcelo, eu, Priscila e Marquinho





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